
Ainda não refeitos do ataque aos professores, que constitui a legislação sobre a Avaliação de Desempenho, e “cai-nos no sapatinho”, como prenda de Natal atrasada, o Projecto do Governo para a direcção das escolas. É caso para perguntar: Que mal fizeram os professores para serem vítimas de tamanha afronta?! Sim! Este projecto é uma afronta à nossa dignidade profissional. Mais, é um atestado de menoridade mental passado aos professores. Não tenhamos dúvidas disso!
Os professores são uns incapazes que não sabem eleger os seus Coordenadores, são uns ignorantes que não têm discernimento para, com a restante comunidade escolar, escolher o seu Conselho Executivo ou o seu presidente do Conselho Pedagógico. Enfim, uns inaptos para pôr em funcionamento um estabelecimento de ensino. Este projecto do Governo mais não é que a prova de que os nossos governantes partem do pressuposto que os professores e os seu órgãos colegiais de gestão são o cancro do ensino, os responsáveis pelas dificuldades e problemas das escolas, do insucesso, enfim, de tudo o que há de errado no sistema educativo.
Mas há propostas sindicais que o Ministério se recusa a ouvir, optando por uma política de facto consumado, sem negociação, preferindo colocar a direcção da escolas nas mãos de um “D. Sebastião” que irá presidir ao Conselho Geral da escola. Será ele o proprietário da farmácia local? O dono do supermercado? Algum representante da autarquia? Algum pai de um aluno da própria escola? Não interessa. O IMPORTANTE é que não seja PROFESSOR!!!! Não. O professor nada sabe da escola onde lecciona. É o culpado do insucesso, é aquele que, até agora, se mostrou incapaz de escolher quem deve gerir a sua escola. O Messias/Todo - Poderoso/Director é que tem o conhecimento, o discernimento que falta ao professor. Ele é que sabe quem deverão ser os Coordenadores de Departamento, dos Directores de Turma. Ele é que sabe do recrutamento dos docentes, dos horários de trabalho, do acesso aos escalões do topo da carreira, da atribuição de horários zero, da passagem à mobilidade especial (os tais supranumerários que a nossa ministra dizia que não haveria nos professores…), da organização da rede escolar, do encerramento de escolas…
Mas afinal o que é que não saberá este Reitor????
E o que somos nós, professores?! Operacionais do ensino? Funcionários das escolas? Mas serão as escolas empresas?
Enfim, o governo não confia nos professores.

0 Responses to “”
Leave a Reply